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No Ceará, ex-boleiros agora são vigilantes profissionais

O Povo Online
Nem todo jogador consegue fazer fortuna nos gramados. Pelo contrário. Cerca de 83% dos atletas que atuam no futebol brasileiro recebem até dois salários mínimos por mês.

E a realidade da maioria é simples assim: quando o fôlego (ou a paciência) acaba, só resta seguir trabalhando em outra atividade.

Aqui no Estado, muitos boleiros aposentados trocaram as chuteiras por uma arma e um colete à prova de balas. Deixaram os estádios e viraram vigilantes.

No Ceará, o sindicato da categoria registra 10 mil profissionais atuando na área de segurança privada. E pelo menos 18 deles foram jogadores de futebol.

Nomes como Rabicó, Ivanildo, Alex Magno e Valderi pararam de atuar mas foram obrigados a seguir correndo atrás do sustento.

Descobriram que proteger o patrimônio dos outros poderia render um dinheiro e a chance de seguir perto do esporte.

"Muitos entraram nessa vida por causa do futebol mesmo. Temos um campeonato muito forte entre as empresas. E eu, por exemplo, quando precisava de uma certa posição para o time ia atrás de um colega para entrar na firma", conta o ex-volante Gean, que atuou por Guarany de Sobral, Ceará, Icasa, Ponte Preta e uma série de outros clubes. Hoje, é vigilante e coordena a parte de esportes de uma empresa de segurança.

Assim, de boca em boca, um boleiro foi chamando o outro. Os times foram sendo reforçados e cada amigo pôde ajudar o outro que estava passando aperto. "Alguns têm medo de pegar em arma. Muitos desistem, ficam em dúvida", revela Gean, que parou aos 30 anos.
 
Estabilidade - Airton talvez seja um dos mais conhecidos entre os jogadores que viraram vigilantes. O ex-zagueiro, que só no Ceará passou 11 anos, trabalha na jornada padrão da classe: 12 horas de serviço e 36 de folga. E não se incomoda de seguir na batalha mesmo depois da fama. "Faço com orgulho. A vida da gente não pode parar. Optei por não seguir no futebol. Sofri muito muito e não queria que nada se repetisse. Ouvi muitas promessas", diz ele, hoje com 41 anos. "Ganho menos do que quando jogava, mas pelo menos é certo e não tem atraso", completa.

Como todos os outros, Airton passou pelo curso que pode durar até três meses. É a preparação que o vigilante tem para aprender a atirar e a lidar situações de extremo risco. Em cinco anos de profissão, o ex-jogador, como o seus 17 colegas, não passou por nenhuma situação delicada. "Graça a Deus", comemora.

TORNEIO E ESTRUTURA

Organização - O campeonato entre os vigilantes é gerido pela Federação Cearense de Futebol Sete Society, apesar de ser disputado em campos 11x11. A entidade marca os estádios e organiza a escala de árbitros para cada partida do torneio

PROFESSOR VIGILANTE

Quase um Muricy - O grande técnico do campeonato entre os vigilantes é José dos Santos. "Era um vigilante normal, que amava futebol amador", diz Aneci Araújo. Hoje, José dos Santos é diretor de esportes do sindicado dos vigilantes

Personagens - Quem são:

Gustavo, ex-Tiradentes
Valdinei, ex-Ferroviário
Alex Magno, ex-Quixadá
Alexandre Marques, ex-Tigre
Airton, ex-Ceará
Rabicó, ex-Ceará e Fortaleza
Ivanildo, ex-Ferroviário
Dadá, ex-Vitória
Doca, ex-Potiguar
Samuel, ex-Guarany-S
Zelton, ex-Icasa
Valderi, ex-Tiradentes
Álber Sousa, ex-Ferroviário
Pepi, ex-Ferroviário
Freitas, ex- Náutico
Reidener, ex-Ceará
Zé Carlos, ex-Tiradentes
Piauí, ex-Tiradentes

Fonte: O Povo Online/CE

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